Numa semana em que se falou da produtividade dos nossos funcionários públicos, não pude deixar de partilhar convosco um excerto do livro de Isabel Allende, "O meu País Inventado", que li já algum tempo sobre os funcionários públicos Chilenos que me fez sorrir...
"O amor aos regulamentos, por mais inoperantes que eles sejam, encontra os seus melhores expoentes na imensa burocracia da nossa pátria sofredora. Essa burocracia é o paraíso do chinelito del montón, ou o homem de cinzento. Nela pode vegetar o seu gosto, totalmente a salvo das armadilhas da imaginação, muito seguro no seu posto até ao dia da reforma, desde que não se cometa a imprudência de tentar mudar as coisas, tal como garante o sociólogo e escritor Pablo Huneeus (...) O funcionário publico deve compreender desde o seu primeiro dia na repartição que qualquer sinal de iniciativa ditará o fim da sua carreira, porque não está ali para exibir méritos, mas para alcançar dignamente o seu nível de incompetência.
O propósito de mover papéis com selos e carimbos de um lado para o outro, não é resolver problemas mas impedir soluções. Se os problemas se resolvessem a burocracia perderia poder e muita gente honesta ficaria sem emprego, pelo contrário, se piorarem, o Estado aumenta o orçamento, contrata mais gente e assim diminui a taxa de desemprego e todos ficam contentes. O funcionário abusa da sua migalha de poder, partindo do principio de que o público é o seu inimigo, sentimento que é plenamente correspondido."
"O amor aos regulamentos, por mais inoperantes que eles sejam, encontra os seus melhores expoentes na imensa burocracia da nossa pátria sofredora. Essa burocracia é o paraíso do chinelito del montón, ou o homem de cinzento. Nela pode vegetar o seu gosto, totalmente a salvo das armadilhas da imaginação, muito seguro no seu posto até ao dia da reforma, desde que não se cometa a imprudência de tentar mudar as coisas, tal como garante o sociólogo e escritor Pablo Huneeus (...) O funcionário publico deve compreender desde o seu primeiro dia na repartição que qualquer sinal de iniciativa ditará o fim da sua carreira, porque não está ali para exibir méritos, mas para alcançar dignamente o seu nível de incompetência.
O propósito de mover papéis com selos e carimbos de um lado para o outro, não é resolver problemas mas impedir soluções. Se os problemas se resolvessem a burocracia perderia poder e muita gente honesta ficaria sem emprego, pelo contrário, se piorarem, o Estado aumenta o orçamento, contrata mais gente e assim diminui a taxa de desemprego e todos ficam contentes. O funcionário abusa da sua migalha de poder, partindo do principio de que o público é o seu inimigo, sentimento que é plenamente correspondido."